Me retirando do projeto de tradução dos guias


English Version (Google Translate)

Acho que todos que trabalham com Ruby no Brasil conhecem o projeto dos guias. Nosso país é o único do mundo que tem todos os guias traduzidos para pt-BR e eu tenho orgulho de dizer que trabalhei neste projeto.

Foi uma tradução diferente das outras em virtude do fonte ser todo gerado em Ruby (tivemos que cuidar desta parte) e por ser um projeto constante e com atualizações praticamente diárias (diferente de um livro). Um trabalho colossal e que tivemos até poucos envolvidos se pensarmos no tamanho de cada guia. Mas na época eu considerei este projeto de tradução o mais importante para a nossa comunidade.

Hoje penso que ter traduzido os guias não foi a melhor coisa que podíamos ter feito. Como boa parte do meu trabalho está envolvido em treinamento pela eGenial ou privado vejo muito código de outras pessoas, e de vários níveis de conhecimento diferentes. Várias vezes estes códigos me assustam de verdade. Nestes casos é nítido que as pessoas não entenderam a filosofia do Ruby e muito menos do Rails (que só estende o mesmo conceito da linguagem para desenvolvimento web).

Apenas através dos guias você não aprende este tipo de coisa. Você não aprende que em hipótese alguma você pode desenvolver sem um SCM (preferencialmente GIT), não aprende que seus métodos nunca devem ter 70 linhas, não aprende como organizar seus controllers pensando em REST, e etc.

Os guias são a documentação da API exemplificada e ter isso de “mão beijada” no seu idioma ajuda os iniciantes a não pesquisarem, a não entenderem o porque das coisas. E caso estas pessoas precisem pesquisar, tudo estará em inglês em não em seu idioma nativo.

Eu não quero, em hipótese alguma, daqui a 10 anos ter vergonha em dizer que trabalhei com Ruby por ser uma linguagem famosa por projetos falhos, código mal feito e filosofia errada.

Até hoje a comunidade Ruby/Rails tem crescido responsavelmente e com qualidade porque quem está a mais tempo impõe as boas práticas. Qual outra comunidade que se você não fizer testes você é crucificado? Ou se você fizer deploy via FTP e sem um SCM então você é um zero? São boas práticas que nada tem a ver com o Rails ferramenta mas são implícitas no cotidiano Ruby e Rails.

Estas práticas você não aprende nos guias e caso um iniciante acomode-se a não pesquisar as coisas em inglês então ele nunca terá a visão do ecosistema e continuará fazendo código porco e sem saber para onde foi aquela produtividade prometida.

Outro motivo é que não quero contribuir para o problema do Simulador manco.

Por estes motivos e assinando a decisão do Cássio Marques eu também estou me retirando do projeto de tradução.

Vou me dedicar apenas a continuar respondendo os vários emails e mensagens no twitter que recebo, escrever posts aqui no blog e fazer apresentações além de ajudar no RailsMG.

Obviamente também vou continuar mantendo o livro teórico da eGenial (com mais de 300 págs) sempre atualizado e criando conteúdo para novos cursos onde eu tenho a total garantia que quem fizer e se dedicar sairá com o conhecimento certo (não é Free mas eu considero o valor muito acessível para aprender tudo da forma correta desde o início).


4 Comentários to “Me retirando do projeto de tradução dos guias”

Guilherme Costa diz:

Daniel, muito coerente o teu texto. Estou fazendo o curso de Rails contigo e concordo, é um valor super baixo para a quantidade de conteúdo que tu estas nos apresentando! E realmente, quem se dedica ao curso, vai poder fazer bastante coisa. Mas a busca não pode parar ali, deve servir como um empurrão para buscar mais e mais conhecimento na internet, livros e cursos.

Outra coisa muito importante, se a pessoa quer entrar no mundo de desenvolvimento, o mínimo que ela precisa é fome de conhecimento (buscando saber o máximo de cada assunto) e inglês. Se bem que inglês é importante para qualquer profissão hoje em dia!

Grande abraço e parabéns!!


L. Costa diz:

É por isso que gosto de Ruby, ou seja, gosto de Ruby, Rails e afins pela sua comunidade activa e responsável, e o melhor disso é que é a nível internacional e local em qualquer parte do mundo.


Diego Matos diz:

Não gostei de ler. Assim como muitos eu comecei lendo uma documentação em português e sem dúvida o começo é a parte mais complicada. O que faz dos programadores bons ou ruins não é a linguagem que ele aprendeu… e sim o quanto ele se empenhou para aprender.


cheap pandora beads sale diz:

.Se bem que inglês é importante para qualquer profissão hoje em dia! pandora beads on sale


Comentário