50% do software é design


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Esta semana eu estava dando uma olhada na grade do curso de Frontend da Egenial que vai começar neste sábado. Lendo sobre o curso veio novamente aquela lembrança de como o mercado, principalmente brasileiro, é fraco em produtos agradáveis de serem usados.

Por exemplo, eu não conheço nada semelhante ao Shopify em português, muito menos algo como o Basecamp. Que existem concorrentes brasileiros existem, mas por que todos são extremamente inferiores e conseguem até gerar ódio dos usuários?

Não entendo e nem quero entender nada de design

Muitos desenvolvedores criam seus projetos, abrem empresas, montam startups ou entregam produtos para clientes sem ter a consciência que talvez o seu código suado não tenha valor nenhum.

Alegando o contrário, você vai dizer que fez a analise do que era necessário, possui testes, empregou as melhores tecnologias, conversou com o cliente em todas as etapas e agora está tudo exatamente como combinado.

Porém existe uma coisa que a grande maioria das pessoas da área de TI não se preocupa. A interface, ou seja, como será usado seu sistema.

Amor a primeira vista

Em um produto material (não virtual) várias coisas contam, por exemplo a textura, como as coisas funcionam, a matéria prima empregada, como foi empregada, os encaixes e etc. O contato com o produto é físico e apenas por tocar um produto você consegue dizer se ele é uma porcaria ou não e se tem utilidade ou não.

No caso de produtos virtuais esse contato não existe e o mais próximo que temos da situação acima é contato com a interface do sistema.

Agora imagine o seu código lindo e maravilhoso embrulhado em telas cinzas e com 50 campos de formulário sem nenhuma lógica ou explicação?

Qual reação o usuário terá? Com um único olhar ele vai entender isso tudo como uma grande porcaria que é obrigado a usar pois faz parte do seu cotidiano. Quantas vezes você não vê pessoas reclamando que é uma falha no sistema? A grande maioria das vezes são apenas dificuldades que esta pessoa está tendo para entender como as coisas devem fluir naquele emaranhado de botões e campos.

Pensar como as telas vão ser desenvolvidas, quais são os passos lógicos que o usuário deve tomar, quais telas devem existir e quais não devem é sim parte do trabalho do desenvolvedor.

Para entregar um produto de real qualidade para quem vai usar seu sistema todos os dias é necessário que todas as pessoas da equipe entendam que a interface e o design são no mínimo 50% do produto e que o usuário deve abrir seu sistema e se sentir confortável. É assim que você se sente ao ligar seu Macbook ou seu iPhone. Você também não usa seu Gmail com medo de fazer uma bobeira por não saber onde está clicando. No seu produto não deve ser muito diferente.

Você não precisa se tornar um exímio desenhista e criar logos e ícones mas você precisa ter o censo crítico para identificar que seu produto é uma porcaria ou uma maravilha. Também deve ser capaz de conversar com os designers da sua equipe de igual para igual se aquela barreia que existe na maioria das empresas.

Design de UI NÃO É ARTE!

Design de software é quase nada de trabalho artístico e muito, mas muito, trabalho racional. Se ainda está relutante se deve entender algo sobre design ou não eu recomendo fortemente este vídeo para você entender porque um negrito em local é mais importante que um itálico:


Por onde começo?

Com tudo isto em mente, se tornar um “Devgner” (como costuma dizer Lee Brimelow) é extremamente complexos (se ainda não viu o vídeo acima veja logo).

Voltando ao começo deste post, este curso de Frontend é algo que venho sugerindo ao pessoal da Egenial e conversando com eles a bastante tempo por todos estes motivos acima. Recomendo que você comece fazendo os seus softwares melhores através deste primeiro passo com o curso.


9 Comentários to “50% do software é design”

Norberto diz:

Como sempre você contribuindo para a comunidade Daniel, mostrando o caminho certo e ajudando a formar desenvolvedores com mais qualidade.

Este post seu tem um valor muito grande na formação de qualquer um. Existem muitos por aí que sem importam em satisfazer apenas o seu ego, mostrando que sabe fazer um site e talz, mas esquece dessas coisas, esquece de que irá ter um usuário usando seu produto. E o foco principal tem que ser na experiência do usuário e não apenas fazer funcionar a coisa. É como vc disse 50% do software é design.


Abraão Coelho diz:

E quando que vai ter uma edição avançada desse curso da Egenial, Daniel? =)

Definitivamente não é uma arte, o simples bom senso já é um excelente ponto de partida. O trabalho de tomar consciência de que o design é algo essencial para o produto é que é trabalhoso às vezes.


Harlley diz:

Nos EUA é muito comum ver vagas de Front End Engineering (profissional especialista em interface), porém no Brasil são poucas as empresas que dão importância a interface. Se preocupam muito com casos de uso, requisitos, arquitertura, banco de dados, blá blá blá. http://twitter.com/harlley/status/17882401049 Assim que tiver tempo vou assitir o vídeo que você indicou. Tem um outro aqui muito bom também: http://code.google.com/events/io/2010/sessions/beyond-design-user-experience.html


Ricardo teixeira diz:

Sinceramente não compensa fazer esse curso por ser muito basico, vcs deveriam considerar desenvolvedores experientes, esse é o foco afinal, não é? Aprender css qualquer um aprende, é facil, entra no site do maujor e pronto


Abraão Coelho diz:

Eu acho que o curso atual é necessário principalmente pra quem está começando agora – indiquei pra um amigo justamente por isso.

Talvez quando se tem alguma experiência ele seja mais básico mesmo. Mas eu torço pra que aconteça uma segunda edição com tópicos mais avançados e que seja mais voltado pra desenvolvedores mais experientes.


Cleiton Francisco diz:

Olá pessoal,

Concordo com o Ricardo e com o Abraão, podemos encontrar o básico do CSS muito facilmente na internet, o mesmo vale para o HTML (PHP, Ruby, Rails e outras linguagens), mas esse curso não é somente isso.

Durante o curso será simulado o desenvolvimento de uma Aplicação Web fictícia, conforme eu descrevi nesse post: http://blog.egenial.com.br/?p=480

Os layouts, as páginas e as estruturas dessa aplicação serão usados como a base do curso. A partir dos layouts (PSDs) os alunos vão aprender:

  • Recorte, tratamento e otimização das imagens usadas no site e nos estilos CSS;
  • Truques básicos do Photoshop que fazem qualquer layout ficar sensacional;
  • Montar as páginas usando XHTML e HTML 5;
  • CSS com toda a força do CSS3;
  • Fazer Redesigns, sem mexer no código HTML já existente.
  • Usar recursos interativos com javascript usando jQuery;

Tudo isso aplicando técnicas de otimização de performance, e tomando os devidos cuidados com acessibilidade e usabilidade.


Revista Universo Maçônico diz:

Olá,

Parabéns pelo post, me fez pensar em muitas coisas ao desenvolver um projeto.

Gostaria de indicar o livro já não tão novo chamado “Não me faça pensar” e dizer que ferramentas como o Google Analytics, ajudam muito em perceber Métricas interessantes sobre um design, inclusive para intranets/extranets.

Gosto também de A/B Testing, vale apena ler sobre.

Atenciosamente


Vagner diz:

“A interface, ou seja, como será usado seu sistema…” Acho que você confundiu design com usabilidade…


Daniel Lopes diz:

Não Vagner, não confundi.

Definição da palavra interface é por onde interagir com algo ou ponto onde dois sistema interagem. Então não vejo qual é a confusão.

No entanto as pessoas gostam de criar nomes paras as coisas mas o que importa mesmo é o resultado.

Não importa se você chama interação de usabilidade ou design de layout. Não importa se você chama desenvolvimento da forma correta de Agile ou de qualquer outra coisa.

No final a única coisa que importa é o resultado.


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